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Curso oferecido pelo CEPID B3 na SBBq 2026 explica bases teóricas e práticas da cryo-EM

Da preparação de amostras ao refinamento de estruturas moleculares em alta resolução, um curso oferecido pela equipe do Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3) durante a 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq) levou pesquisadores para dentro da prática da criomicroscopia eletrônica, ou cryo-EM – uma das técnicas mais avançadas da biologia estrutural. O treinamento, realizado entre os dias 17 e 19 de maio, focou na apresentação, de forma integrada, dos fundamentos e das aplicações da cryo-EM, usada para revelar, em detalhes, estruturas milhares de vezes menores que uma bactéria.

Curso “A revolução molecular: introdução à análise de partículas individuais por cryo-EM SBBq 2026 | Foto: CEPID B3

 

No primeiro dia da atividade, intitulada “A revolução molecular: introdução à análise de partículas individuais por cryo-EM”, Germán Sgro (USP-RP) foi responsável por apresentar o processo de preparo adequado de amostras, abordando tanto a criomicroscopia quanto técnicas de microscopia eletrônica de transmissão com contraste negativo (negative staining) e estabelecendo as bases para as etapas seguintes.

A segunda tarde, liderada por Leonardo Talachia Rosa (Unicamp), foi dedicada às orientações sobre coleta e processamento inicial de dados. Utilizando um conjunto de dados tutorial, os alunos tiveram acesso remoto ao software CryoSPARC – usado para processar e analisar imagens de partículas biomoleculares e, a partir delas, reconstruir estruturas tridimensionais em alta resolução. O curso utilizou os recursos computacionais  do servidor Da Vinci, localizado no Instituto de Ciências Biomédicas da USP e vinculado ao CEPID-B3. “Tivemos suporte do professor Robson Francisco de Souza e do pesquisador colaborador Celso Calomeno. Foi fundamental para dar tudo certo”, disse Rosa. De acordo com Raphaela Machado, aluna de doutorado no CEPID B3 e participante do curso, essas ferramentas permitiram uma experiência prática e real. “A gente conseguiu realmente fazer o processamento, não ficou só na teoria”, explicou. “Importamos micrografias, fizemos pré-processamento com motion correction e estimativa de CTF, além do picking e extração de partículas”, complementou.

O terceiro e último período concentrou-se nas etapas mais avançadas da análise, incluindo classificação 2D e 3D, refinamento de modelos e pós-processamento. Para a doutoranda, essa abordagem “mão na massa” foi um dos pontos altos do curso. “Foi muito interessante poder acompanhar cada etapa enquanto executávamos no software, entendendo a importância de cada processo”, afirmou.

Ao final do curso, 100% dos participantes afirmaram sentir-se capazes de planejar, ao menos de forma inicial, as etapas necessárias para obter uma estrutura por cryo-EM, enquanto 85,7% relataram ter aprendido a explorar o software CryoSPARC ao longo da formação. Os resultados reforçam o papel do CEPID B3 na capacitação de pesquisadores altamente qualificados e no fortalecimento de competências em técnicas de ponta, cada vez mais essenciais para a investigação de estruturas biomoleculares e para o avanço da ciência no país.