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Mesa redonda debate desafios e caminhos da carreira acadêmica na SBBq Jovem

No último dia 16 de maio, durante a 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), realizada em Águas de Lindóia (SP), a mesa redonda “Desafios e perspectivas da carreira acadêmica: um encontro da SBBq Jovem” reuniu jovens pesquisadores para discutir dilemas, expectativas e possibilidades dentro – e fora – da academia. Organizado por Filipe Nogueira Franco (Unifesp), o encontro teve como proposta central criar um espaço de troca e identificação entre os participantes, abrindo diálogo sobre incertezas, trajetórias e diferentes formas de construir uma carreira na ciência.

Gabriel Araujo (USP e CEPID B3), Amanda da Anunciação Farhat (USP), Letícia Silva Ferraz (UNIFESP) e Filipe Nogueira Franco (Unifesp) | Foto: CEPID B3

 

Ao longo da discussão, os mediadores Gabriel Araujo (USP e CEPID B3), Amanda da Anunciação Farhat (USP) e Letícia Silva Ferraz (UNIFESP), além de Franco, compartilharam suas trajetórias acadêmicas e levantaram reflexões importantes sobre a concentração da pesquisa científica na região Sudeste. Para Franco, é fundamental ampliar o olhar para as possibilidades. “Abra os horizontes para outros lugares. Temos um Brasil inteiro com muitos campos e muitas vagas”, disse.

A mesa também abordou uma questão recorrente entre pós-graduandos: o que motiva a permanência na academia, mesmo diante de desafios conhecidos? “Por que entramos e ficamos na pós-graduação sabendo dos desafios?”, provocou Farhat. Segundo ela, a escolha pela ciência envolve uma reflexão constante. “A academia é uma escolha diária. É importante olhar a academia por várias perspectivas, não necessariamente todas boas ou não necessariamente todas ruins”, defendeu. 

Entre os principais obstáculos citados estão a instabilidade financeira, a baixa oferta de vagas permanentes e a insegurança em relação ao futuro, pontos que também apareceram em um questionário prévio aplicado ao público. Os dados indicam que a maioria dos participantes avalia sua satisfação com a carreira científica como intermediária: em uma escala de 1 a 5, 34% atribuíram nota 3, enquanto apenas 3,1% deram nota máxima. Apesar disso, muitos ainda pretendem seguir na área acadêmica: 53% demonstraram interesse em docência e pesquisa em universidades públicas e 43,8% em instituições públicas de pesquisa. Alternativas como indústria (28,1%), empreendedorismo (12,5%) e consultoria científica (12,5%) também aparecem como caminhos possíveis.

Gabriel Araujo (USP e CEPID B3) e Filipe Nogueira Franco (Unifesp) | Foto: CEPID B3

 

Para Farhat, a formação acadêmica prepara profissionais capazes de contribuir em diferentes contextos. “Na academia, fazemos muito com pouco. Imagina o quanto podemos agregar em locais que estão acostumados com outros sistemas”, disse. A transição para fora da academia, no entanto, ainda é vista como um desafio. “Muita gente acaba ficando na academia por conta da insegurança de fazer essa mudança. A gente nunca discute como fazer essa transição”, relatou uma participante. Ferraz reforçou a importância de reconhecer o valor das competências desenvolvidas na pós-graduação. “Cabe a nós mostrar que as habilidades que adquirimos podem, sim, ser aplicadas em outros contextos”, argumentou.

Ao final, a mesa deixou uma mensagem clara: mais do que um caminho único, a carreira científica é feita de escolhas, adaptações e, sobretudo, reflexão contínua sobre o próprio papel dentro e fora da academia.