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“Nossa missão é ter impacto positivo na sociedade”, afirma Catalani em palestra sobre inovação e universidades

Da esquerda para a direita, Shaker Chuck Farah (diretor do CEPID B3), Luiz Henrique Catalani (coordenador da Agência USP de Inovação) e Frederico Gueiros Filho (coordenador de inovação do CEPID B3).

 

As universidades podem e devem impulsionar o empreendedorismo para gerar impacto social por meio da pesquisa e inovação. Esse foi o tema abordado por Luiz Henrique Catalani, coordenador da Agência USP de Inovação (AUSPIN), durante palestra promovida no último dia 12 de dezembro pelo Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3). O pesquisador destacou que a busca por soluções reais para a sociedade deve aliar a produção de conhecimentos ao empreendedorismo e ressaltou que a formação acadêmica também deve levar em conta o potencial dessa integração.

Atender às demandas da sociedade é uma das missões principais das instituições de ensino e pesquisa desde meados do século XX, quando a busca por novas tecnologias ganhou força durante a Segunda Guerra Mundial. “O esforço de guerra provou que a ciência podia transformar a economia e, com isso, uma série de inovações surgiu dentro e fora da academia e o desenvolvimento de pesquisa aplicada gerou grande impacto econômico”, disse Catalani. Ele explicou que, desde então, a implementação de estratégias para inserir a inovação nas universidades tem avançado lenta e gradualmente. “Por exemplo, foi só em 2021 que a USP adotou uma política de inovação prevista desde 2004”, relembrou.

“Hoje, a gente vê a USP como parceira de todo o processo, desde a pesquisa básica até a formulação e a aplicação de tecnologias”

Catalani, que é professor titular do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) desde 2006, também enfatizou que, apesar da implantação recente dessa política, a USP já tem um histórico empreendedor e ocupa posições de destaque em rankings relacionados à inovação. Em 2023, a instituição foi reconhecida pela quarta vez como a universidade mais empreendedora do Brasil, segundo o Ranking de Universidades Empreendedoras (RUE), organizado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). O programa DNA USP, desenvolvido para identificar empresas fundadas por alunos, ex-alunos e pesquisadores ligados à USP ao longo de sua história, já mapeou mais de 3 mil organizações associadas à instituição. Destas, cerca de 610 estão incubadas ou em operação no mercado, reforçando o impacto da universidade no empreendedorismo e na inovação. “Hoje, a gente vê a USP como parceira de todo o processo, desde a pesquisa básica até a formulação e a aplicação de tecnologias”, comentou o pesquisador.

O coordenador da AUSPIN enfatizou que esses resultados refletem o fortalecimento de um modelo de universidade empreendedora e engajada, perfil buscado pela USP nos últimos anos. “Uma universidade empreendedora é focada em impactos econômicos, desenvolve competências empresariais com mentalidade de transformação de produto, uma pesquisa que leva à criação de renda e incentiva e promove inovação”, explicou. “Já a universidade engajada está voltada a várias formas de impacto na sociedade, não só econômico; há o comprometimento com pesquisas alinhadas às necessidades sociais”, complementou Catalani.

Para o pesquisador, a postura adotada pela USP está alinhada às tendências de instituições nacionais e internacionais que buscam destaque na próxima década. Ele reforçou que incentivar a criação de inovações e soluções aplicadas para a sociedade dentro das universidades é um dos caminhos para atingir esse objetivo. “Não podemos mais continuar com um ciclo na academia onde há um cientista formando outros cientistas para formar mais cientistas”, disse. “Essa nova visão requer uma abordagem que otimize a coordenação entre os setores, engaje o público e considere quem será beneficiado pelas respostas às questões científicas”, afirmou ainda. “Nossa missão é ter impacto positivo na sociedade”, concluiu.