O pesquisador de pós-doutorado Igor Otero, do Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3), recebeu um prêmio no valor de R$12 mil para financiar sua participação na 4ª Conferência Anual da Aliança Global de Bioeconomia – Tecnologias-chave para Bioeconomia, realizada entre os dias 1 e 3 de outubro de 2025, em Helsingor, na Dinamarca. O prêmio foi concedido pela Aliança Global de Bioeconomia a partir de uma seleção entre jovens pesquisadores do mundo inteiro. Além de render a premiação, o trabalho de Otero foi selecionado para apresentação oral durante o evento.
Em sua apresentação, o pesquisador detalhou resultados e perspectivas dos estudos conduzidos no Laboratório de Genética de Microrganismos (LGM) – braço do CEPID B3 na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Intitulada “Enzybiotics: Innovative biocatalysts to support sustainable citriculture”, a palestra destacou o uso de enzimas derivadas de bacteriófagos, os vírus que infectam apenas bactérias, como ferramentas promissoras para o controle de microrganismos que causam doenças em plantas, com potencial aplicação na citricultura sustentável. Parte do foco das investigações de Otero se concentra na produção de enzimas virais, chamadas endolisinas, que são capazes de degradar bactérias-alvo. “As endolisinas são enzimas produzidas pelos bacteriófagos na fase tardia da infecção e que fazem com que a bactéria se rompa e o bacteriófago consiga chegar em outras células”, explica o pesquisador. Essas moléculas vêm sendo investigadas como alternativas aos métodos tradicionais de controle de patógenos, especialmente em um cenário de crescente preocupação com resistência microbiana e sustentabilidade agrícola.
Um dos desafios enfrentados na área é a produção dessas enzimas em sistemas biológicos convencionais, como aqueles baseados em bactérias vivas, já que algumas delas podem ser tóxicas para as próprias células utilizadas como “fábricas” de proteínas. Para contornar essa limitação, Otero vai agora investir em abordagens baseadas em sistemas de expressão livres de células, que permitem isolar a maquinaria celular bacteriana e sintetizar proteínas em tubos no laboratório, sem a necessidade de organismos vivos. “Mesmo fora de uma célula viva, os componentes celulares mantêm sua atividade e conseguem produzir as proteínas de interesse”, diz o pesquisador.
Durante a conferência, Otero foi convidado a utilizar o sistema de expressão livre de célula em parceria com a Universidade Técnica de Munique (Alemanha), dando início a uma nova colaboração e a realização de um estágio pós-doutoral no exterior. Segundo o pesquisador, o domínio dessas técnicas pode contribuir tanto para a obtenção de proteínas tóxicas quanto de proteínas de difícil solubilização, ampliando o alcance de aplicações em biotecnologia e na agricultura sustentável. Após o retorno do estágio no exterior, a expectativa é que a incorporação dessa tecnologia em novas pesquisas amplie as possibilidades de produção e caracterização de enzimas de interesse biotecnológico, beneficiando diferentes linhas do CEPID B3 e também a comunidade científica internacional.
