No último dia 25 de março, a comunidade do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP) prestou uma homenagem póstuma a Aline Maria da Silva, pesquisadora e professora do Departamento de Bioquímica do IQ. Aline construiu uma trajetória sólida nas áreas de bioquímica e biologia molecular, orientou dezenas de estudantes e contribuiu para projetos de grande impacto, incluindo o primeiro Projeto Genoma do Brasil. O tributo foi organizado pelo colega João Carlos Setubal, pesquisador do IQ, e reuniu colegas de trabalho, amigos e familiares para compartilhar lembranças, destacar sua trajetória científica e celebrar seu legado após sua partida precoce, em outubro de 2024.
O primeiro a discursar no evento foi Walter Colli, médico e cientista que acompanhou a trajetória de Aline desde seus tempos de estudante. “Era uma pessoa doce e amorosa”, destacou o pesquisador. Colli também mencionou as palavras de um colega sobre a homenageada: “Aline atuou com a mesma intensidade até uma semana antes de partir”, disse. Reafirmando a dedicação intensa e o comprometimento, marcas registradas de Aline, Suely Lopes Gomes, Professora Sênior do IQ e ex-colega de bancada da pesquisadora, afirmou que Aline sempre teve avaliações positivas dos alunos para quem lecionava. “Tudo o que você espera de um excelente docente, ela fez”, declarou.

Marilis Marques, professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, colega de trabalho nos anos 1980 e parceira Aline em um dos últimos projetos que fez parte, o Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (CEPID B3), confirmou as declarações anteriores. “Aline me ajudou muito; sempre foi extremamente generosa com seu tempo e sua disponibilidade para ensinar”, disse. Assim como Marilis, Glaucia Mendes Souza, professora do IQ, reforçou sua gratidão pela pelas orientações recebidas por Aline. “Ela foi uma luz na minha carreira”, disse.
Nos anos 2000, Aline contribuiu para a publicação de diversos trabalhos, incluindo artigos científicos em parceria com Sergio Verjovski-Almeida, que também esteve presente na homenagem. “Sorrindo para todo mundo, ela era a apaziguadora de todas as dificuldades”, relembra o pesquisador, destacando os inúmeros conselhos pessoais e profissionais que recebeu de Aline.
Júlio César Franco de Oliveira, que conheceu Aline em 1991 e se tornou amigo pessoal da pesquisadora, relatou sua admiração pelo brilhantismo científico e interesse demonstrado por ela. Professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Júlio compartilhou um episódio marcante da convivência entre eles. “Ela olhou bem para mim, olhou para o laboratório e disse: ‘nesse laboratório, eu recebo estudantes de todas as etnias, origens sociais e de diversos estados do Brasil; meu laboratório é o laboratório da diversidade!’”, citou.
Os dois últimos depoimentos foram concedidos por Layla Farage Martins, ex-aluna, funcionária e amiga, e por Ariosvaldo Pereira dos Santos, aluno de pós-graduação no laboratório de Aline, que a considera uma mãe científica. Segundo Layla, a forma com que Aline encarava o dia a dia era inspiradora. “Sempre vinha trabalhar muito feliz; viveu intensamente sabendo que cumpriu sua missão”, disse.

Emocionado, Ariosvaldo comparou o falecimento de Aline com a morte de uma baleia azul – ao falecer, o animal se torna um ecossistema cercado por outros organismos que ganham vida ao usufruir de seu legado. “A morte da Aline deu vida para mim, para muitas outras pessoas e pesquisas que ainda estão por vir”, declarou. Deborah Schechtman, professora do IQ, completou o discurso: “Seguiremos lutando pela Ciência, pela cura e por um mundo mais justo, seguindo seus exemplos”, concluiu.